A <i>TNC</i> é viável e tem futuro

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Em luta pela viabilização da empresa e a manutenção dos postos de trabalho, os 126 trabalhadores da transportadora de mercadorias TNC rejeitaram, segunda-feira, «uma proposta inadmissível», forçando o Governo a recuar e a comprometer-se com um plano de viabilização, mas cujos contornos continuam por conhecer.

No Ministério da Economia, em Lisboa, foi proposto aos trabalhadores a compra da empresa por outra, a We-Go, que por sinal é propriedade do herdeiro do fundador da TNC, mas com uma condição: os trabalhadores teriam de aceitar uma redução salarial na ordem dos 50 por cento.

Reunidos em plenário na Praça Luís de Camões, após este encontro, os trabalhadores repudiaram a proposta, tendo sido posteriormente convocados para nova reunião, no dia seguinte. No encontro de anteontem, novamente com o ministro da Economia, este acabou por assumir o compromisso de viabilizar a empresa, e por reconhecer que a proposta apresentada no dia anterior era inaceitável.

No dia 21, os trabalhadores já tinham ido ao mesmo ministério, cujas instalações invadiram até serem recebidos pelo ministro Álvaro Santos Pereira. Na altura, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Urbanos de Portugal, Fernando Fidalgo, explicou ao Avante! a grave situação social em que estes trabalhadores e suas famílias se encontram, com salários de 538 euros mensais em situação de grande instabilidade.

 

Insolvência incompreensível

 

«A empresa tinha as contas regularizadas, não deve nada ao Estado, garante os salários até ao fim deste mês, tem um bom volume mensal de negócios (cerca de 180 mil euros) e os 138 camiões circulam todos, estando assim criadas todas as condições para a empresa poder ser viabilizada, o que torna ainda mais incompreensível esta insolvência», explicou Fernando Fidalgo.

Em reuniões tidas na Câmara de Vila Franca de Xira, na semana passada, os trabalhadores e o sindicato obtiveram do executivo o compromisso de envidar esforços no sentido da viabilização e da salvaguarda dos postos de trabalho. Mas num encontro que também contou com o administrador da insolvência, no dia 20, «os resultados foram pouco satisfatórios», considerou o dirigente sindical. «Nenhuma garantia foi dada quanto à aquisição da TNC por outra empresa».

Regressados a Vila Franca, os trabalhadores, em novo plenário, decidiram prosseguir a luta.

A empresa decretou insolvência em Dezembro de 2009 e, desde então, os trabalhadores aguardam por um plano de viabilização, mantendo a laboração.



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